Leitores debatem autor indígena neste sábado na Verbo Livraria
24/01/2020 09:06 em Outros

Pensamento indígena é tema de clube de leitura neste sábado

Um dos grandes pensadores da atualidade, Ailton Krenak critica a ideia de humanidade como algo separado da natureza. O líder indígena nasceu na região do vale do rio Doce, local afetado pela extração mineira.

 

 

            Tema fundamental para falar do Brasil, a questão indígena será debatida neste sábado (25) das 10 horas ao meio-dia na Verbo Livraria a partir do livro “Ideias para adiar o fim do mundo”, de Ailton Krenak. A atividade inicia a programação 2020 do Clube de Leitura Penguin-Companhia / Verbo Livraria, organizado pelo jornalista Ben-Hur Demeneck.

            O evento literário é gratuito e aberto a qualquer interessado, sendo recomendada a leitura antecipada de “Ideias para adiar o fim do mundo”, que foi um dos títulos mais vendidos na FLIP 2019 (Festa Literária Internacional de Paraty). O livro resulta de uma adaptação de duas conferências e uma entrevista realizadas em Portugal, entre 2017 e 2019, com Krenak – um dos mais originais e importantes pensadores brasileiros.

            Nascido na região do vale do rio Doce, um lugar cuja ecologia se encontra profundamente afetada pela atividade de extração mineira, Krenak ficou conhecido em 1987 por um discurso durante a Assembleia Constituinte quando pintou o rosto com a tinta preta do jenipapo enquanto protestava contra o retrocesso na luta pelos direitos indígenas.

            “Ideias para adiar o fim do mundo” critica a ideia de humanidade como algo separado da natureza, uma “humanidade que não reconhece que aquele rio que está em coma é também o nosso avô”. Para Krenak, somente o reconhecimento da diversidade e a recusa da ideia do humano como superior aos demais seres podem ressignificar nossas existências e refrear nossa marcha insensata em direção ao abismo.

 

 

 

            Trecho do livro

            “Nosso tempo é especialista em produzir ausências: do sentido de viver em sociedade, do próprio sentido da experiência da vida. Isso gera uma intolerância muito grande com relação a quem ainda é capaz de experimentar o prazer de estar vivo, de dançar e de cantar. E está cheio de pequenas constelações de gente espalhada pelo mundo que dança, canta e faz chover. [...] Minha provocação sobre adiar o fim do mundo é exatamente sempre poder contar mais uma história.”

           

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